Pulso | Não Sabe o Que Ver no Lollapalooza 2016? Vem que a gente te explica!

Lollapalooza Brasil (Raul Aragão / I Hate Flash)Sob grande expectativa o Lollapalooza Brasil anunciou a programação de sua quinta edição, a terceira a ser realizada no Autódromo de Interlagos , nos dia 12 e 13 de março de 2016. São 46 nomes confirmados que ilustram com propriedade o novo momento do festival, de equilibrar protagonismos. O rock cede espaço para a eletrônica e o rap, que têm entre os maiores nomes Eminem, Snoop Dogg e Jack Ü (projeto dos DJs Skrillex e Diplo).

Seguindo a tendência da edição anterior, os artistas solo são destaques com Noel Gallagher, Florence e Albert Hammond Jr. (guitarrista do Strokes). Há espaço para regressos, como o do Alabama Shakes e Of Monsters and Men — ambas voltam em posições mais notáveis do que em suas estreias — e também para quem cancelou participação. Marina and the Diamonds, que deveria ter tocado na edição de 2015, mas cancelou após problemas no voo, tem uma nova chance.

Para ter exata noção do que o público vai assistir nesses dois dias, o PULSO destrinchou o line-up em quatro moods: “Fritação Beats”, “Prata da Casa”, “Manos & Minas” e “Engomadinhos”. Se joga!

FRITAÇÃO BEATS

Rodrigo Rodríguez

Jack-U-Image

O Lollapalooza continua investindo forte na música eletrônica, fugindo um pouco do antigo rótulo de festival dedicado ao indie rock. Depois de trazer Calvin Harris, Skrillex e Major Lazer em 2015, o festival escalou para 2016 artistas e DJs de diversos segmentos do gênero.

A EDM continua forte com os nomes confirmados de Zedd e Kaskade, que não param de se destacar em grandes festivais e principalmente nos Estados Unidos, a dupla Zeds Dead (o set deles do Ultra Japão onde misturavam trap com electro, dubstep e hip-hop foi fantástico!) e o Jack Ü , um dos nomes mais aguardados.

O trap e o bass estarão presentes também com o duo Flosstradamus (que já tocou em outras edições do Lolla pelo mundo) e RL Grime, que se destacou recentemente com seu ótimo remix para “Satisfaction” do Benny Benassi.

Matthew Koma é um dos cantores queridinhos do momento dos DJs e já soma parcerias com nomes como o próprio Zedd, Giorgio Moroder, Tiesto, Steve Aoki, Showtek, The Knocks e Afrojack, entre muitos outros. Quem sabe não rola um live de “Spectrum” ou “Find You” com o Zedd.

Duke Dumont trará o melhor da house music com seus hits “Ocean Drive” e “Won’t Look Back”, faixas de seu novo disco com o título “Blasé Boys”.

Além desses nomes, o festival trará alguns artistas bem interessantes como Odesza, A-Trak (grande turntablist, que forma a dupla Duck Sauce com o DJ Armand Van Helden) e Die Antwoord, banda sul africana que mistura a música eletrônica com hiphop, arte e uma identidade visual pra lá de inusitada (vale dar um confere nos clipes deles).

Vale destacar também a cantora brasileira Karol Conka, que recentemente ganhou o Prêmio Multishow por sua faixa “Tombei” em parceria com o Tropkillaz.

Para a música eletrônica é muito importante esse grande destaque, pois fortalece o movimento no país junto a outros festivais que estão sendo realizados aqui, como o Tomorrowland, o EDC e, em 2016, o Ultra.

PRATA DA CASA

Vinícius Cunha

emicida pulso

A exemplo da edição anterior, que apostou em nomes que buscavam expressão no cenário nacional como Scalene, Baleia, Far From Alaska e O Terno, o Lollapalloza volta a olhar com atenção para a nova música brasileira. Nomes que, para conquistar a plateia e um espaço no mercado, estão dispostos a enfrentar o forte sol da metade do dia que bate em Interlagos — Marrero, Maglore, Supercombo, Karol Conka, Dônica, Versalle, The Baggios eDingo Bells e são alguns dos representantes da vez.

Nomes consagrados como, Planet Hemp, Raimundos, Racionais MC’s e O Rappa, perderam o espaço no festival. Com exceção do Matanza, a programação brasuca mapeia as revelações de Norte a Sul afirmando que a música nacional está em movimento e que a nostalgia, de uma vez por todas, tombou. É a hora e vez de diferentes estilos que crescem a olhos visto no quintal, como o blues-rock dos sergipanos do The Baggios ao rap sem papas na língua da curitibana Karol Conka.

Emicida é um capítulo à parte dentre os 13 nomes brasileiros do line-up. Com a turnê do recém-lançado ““Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa”, o rapper e sua entrosada banda vão apresentar com o novo repertório o porquê dele despontar como um dos grandes nomes da música popular contemporânea.

Os raps potentes e as baladas certeiras do paulista têm credenciais suficientes para ter seu lugar na história ainda recente do festival, com hits como “Boa esperança” e “Levanta e anda” na ponta da língua dos conterrâneos.

Saídos da última temporada do reality show Superstar, o Versalle, de Rondônia, e o Supercombo, de São Paulo, as bandas querem continuar na trilha do sucesso que a TV deu o gostinho. Estes grupos que passaram pelo crivo de milhares de brasileiros e dos jurados Sandy, Paulo Ricardo e Thiaguinho vão enfrentar a horda exigente do público do Lolla, que adora se sentir um curador de festival. Mais uma prova de fogo para quem já está acostumado a passar pela aprovação pública. É matar ou morrer!

As guitarras prometem rasgar o Autódromo, sejam elas mais pop ou rock. Elas brilham nas melodias polidas dos gaúchos da Dingo Bells, viajam nos ecos progressivos dos meninos da Dônica e é robusta no som dos paulistas da Marrero.

MANOS & MINAS

Diego Moretto

eminem pulso

O rap e o hiphop estão presentes desde sempre no line-up do Lollapalooza e fazem parte do DNA do festival. Por lá (Chicago), o Lolla presenciou performances destruidoras de nomes como Chance the Rapper em 2013 ou o próprio Eminem, em 2011.

Por isso é de se estranhar a pouca quantidade de artistas do gênero (entre gringos e nacionais) que passaram nas edições passadas do Lollapalooza Brasil. Mais estranho ainda por ser na urbana e street São Paulo. Verdade seja dita, o Lolla Brasil já nos deu alguns presentes como Racionais MC’s (voltem!), Kid Cudi, Planet Hemp e Childish Gambino, porém, retirados os dois nacionais citados, como meros coadjuvantes.

Mas as preces foram ouvidas e, na edição de 2016 do festival, excelentes nomes do gênero irão marcar presença do Autódromo de Interlagos. Para começar, a confirmação do rapper Eminem como headliner – será a segunda vinda do artista para o Brasil, a primeira acessível para todos. Snoop Dog, Die Antwoord, Emicida e Karol Conka completam este levante de peso na programação do festival.

E se quiser peso extra, grandes nomes do trap music também prometem apresentações memoráveis, como o RL Grime e o Flosstradamus.

Sem k.o., drop the bass!

ENGOMADINHOS

Vinícius Cunha

Mumford and sons

Enquanto o eletrônico, o rap e o hip hop ganham a devida importância que têm na edição brasileira do festival comanda por Perry Farrell, o rock e seus subgêneros estão, como um certo bordão televisivo, “se virando nos trinta” para agradar seus exigentes fãs.

Para plateias que já se esgoelaram com Foo Fighters, Arctic Monkeys, The Killers, Pearl Jam e Queens of the Stone Age ter no Mumford and Sons e Florence and the Machine seus maiores nomes é um tremendo balde de água fria.

As presenças de Noel Gallagher, Tame Impala — esses postulantes a melhores shows de rock do festival — Alabama Shakes, Bad Religion e Eagles of Death Metal até buscam compensar o protagonismo hegemônico que o estilo perdeu com o passar das edições, mas a verdade é que faz tempo que o rock não gera grandes bandas para, ano após ano, ter um line-up inédito. Com isso, uma parcela de nomes não tão expressivos desembarcam na programação.

Se o público esperava um Haim, vai ter de se contentar com o hip rock do Twenty One Pilots. O possível retorno do Libertines ao Brasil foi abreviado e trate de rebolar com o Walk The Moon. São situações hipotéticas na curadoria, mas que ilustram bem o momento do Lollapalooza e do rock, com postura menos combativa e mais engomadinha, quase insípida.

Por sua história e mercado, se abrir aos diferentes gêneros é o caminho natural e trazer nomes de peso do trio (eletrônica, rap e hip hop) traz mais adeptos ao festival em tempos em que a diversidade busca ser senhora.

Independente do estilo, estaremos lá. Nos vemos na pista!

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Pulso | ‘Fora da Casinha’ dos Grandes Festivais

Em tempos onde menos é mais, o festival Fora da Casinha mostra que uma programação enxuta e visão de público podem definir o sucesso de um evento. O underground paulista, na figura da Casa do Mancha, mais do que juntar 10 bandas em três palcos no domingo (04), comemora a sobrevivência e sucesso ‘fora da casinha’ do famigerado mercado de festivais com grandes patrocinadores como Rock in Rio, Lollapalooza e Sónar.

São oito anos de comemoração do respeitado local que respira a música autoral e independente, guiado pelo músico e produtor Mancha Leonel, que em 2007 foi taxado de louco ao instalar um estúdio, que ao mesmo tempo é palco, na Vila Madalena.

Fora-da-casinha (1)

“Correndo fora dos padrões mercadológicos, a Casa do Mancha reafirma a relevância da qualidade musical produzida por artistas contemporâneos”, diz o comunicado que divulga o festival, que reafirma o espírito de resistência dessa quase uma década — “sem patrocinadores, sem apoio estatal, retomando o real significado do desgastado termo ‘música independente’.”

Pelo três palcos (Coreto, Sala Lago e Teatro) do Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena, que funciona como uma extensão da Casa do Mancha, vão passar Mauricio Pereira, O Terno, Twinpine(s), Stela Campos, Gui Amabis, Carne Doce, The Soundscapes, Holger, Supercordas (que acaba de lançar seu terceiro álbum, “Terceira terra”)e Boogarins. Bandas que construíram uma relação de intimidade com a Casa do Mancha, e que, a partir das 16h, mostra que para boa música tocar basta parceria, um lugar e boa vontade.

SERVIÇO

Fora da Casinha
Maurício Pereira, O Terno, Twinpine(s), Stela Campos, Gui Amabis, Carne Doce, The Soundscapes, Holger, Supercordas e Boogarins.

Data: 4 de outubro – domingo
Local: Centro Cultural Rio Verde – R. Belmiro Braga, 181 – Vila Madalena
Horários:
16h – Discotecagem Trabalho Sujo
17h – Mauricio Pereira (Coreto)
17h40 – Stela Campos (Sala Lago)
18h20 – O Terno (Coreto)
19h – The Soundscapes (Teatro)
19h30 – Twinpine(s) (Sala Lago)
20h – Holger (Teatro)
20h30 – Carne Doce (Sala Lago)
21h – Supercordas (Teatro)
21h30 – Gui Amabis (Sala Lago)
22h – Boogarins (Teatro)

INGRESSOS: http://www.gorockbee.com/foradacasinha
1º lote – ESGOTADO
2º lote – $60 DISPONÍVEL

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O Globo | Liberdade: no palco com Lulu e na plateia com fãs de Rihanna

Penúltimo dia de Rock in Rio teve o público mais variado da Cidade do Rock

Lulu Santos e Rihanna no Rock in Rio 2015 – Montagem com fotos de Guito Moreto e Pablo Jacob

RIO – Depois de seis dias de festival, enfim o Rock in Rio encontrou sua verdadeira rainha — e sem a necessidade de usar a projeção em vídeo de um bigodudo cantando ‘‘Bohemian rhapsody’’. Foi uma devoção que teve menos a ver com o que aconteceria no palco (esta edição do jornal fechou às 23h15m, durante o show do britânico Sam Smith, portanto antes de Rihanna aparecer) e mais com uma atitude de quem idolatra a voluptuosa popstar. Os fãs da cantora de Barbados chegaram cedo à Cidade do Rock, provavelmente no dia mais cheio do festival até então e certamente no mais caliente.

Logo na abertura dos portões, às 14h, já dava para perceber o tom: meninas e meninos andavam de mãos dadas sem se importar com o gênero, seguindo o estilo libertador de Rihanna. Beijos eram frequentes entre todos os sexos. Além de uma estrela pop de primeira grandeza, a cantora é conhecida por dizer que pega quem quiser e não está nem aí para os outros. No fundo, o que as 85 mil pessoas que vieram ao Rock in Rio mostraram ontem é que Rihanna faz e fala o que muita gente não tem coragem.

— A ‘‘Riri’’ lacra — resumiu o fotógrafo Jonas Dias, de 21 anos, que saiu, de carro, de Santo Antônio do Monte, em Minas Gerais, para ver sua diva no Rio. — Não é só no visual que ela é uma inspiração, mas na personalidade. Ela é autêntica, faz tudo o que quer, beija quem quer.

Enquanto isso, um avião passava sobre a Cidade do Rock puxando uma faixa com a frase ‘‘Bitch, better have my money’’: o texto, que quer dizer ‘‘vadia, melhor você ter meu dinheiro’’, é o título do último hit de Rihanna e, segundo a produção do festival, o piloto foi contratado pela equipe da cantora. Pouco depois, um casamento gay aconteceu na Cidade do Rock, com a presença de uma juíza de paz.


Mayra Santana (esquerda) e Andrezza Lilielle, são duas fãs de Rihanna – Fabio Seixo / Agência O Globo

— Ela representa uma filosofia de vida que valoriza você ser quem é. A Rihanna é o que ela é onde estiver. Acho que muita gente está aqui hoje porque segue isso — disse a produtora carioca Naira Santana, de 23 anos, que, usando vestido branco, casou-se com a técnica de informática Mayara Monteiro, de 24.

Mas é lógico que toda rainha tem súditos, coadjuvantes de luxo que foram aquecendo o público antes da chegada de Rihanna. O cantor Sam Smith, assumidamente gay, embalou a rapaziada com seu groove suave de ‘‘I’m not the only one’’ e ‘‘Together’’, deixando todo mundo em êxtase. Seu show seguiu doce, bem ao estilo do crooner inglês. Já o rei do pop brasileiro, Lulu Santos abriu sua apresentação, a primeira do Palco Mundo, às 19h, cantando logo ‘‘Toda forma de amor’’, o que teve bastante a ver com uma garotada que dançava ao som da guitarra do músico sessentão.

No Rock in Rio de ontem, não se desejava mal a quase ninguém. Em uma parte do show, outro símbolo de libertação fez uma participação especial. Mr. Catra — o funkeiro casado com uma, duas, três, quatro… quantas mulheres são mesmo? — dividiu a cena com Lulu, em ‘‘Condição’’.

— Mais uma canção sobre como o amor não pode ser regulamentado, como a família é aquilo que foi feito com amor, com coração — disse Lulu, antes de cantar ‘‘Sócio do amor’’.

Mais cedo, no Palco Sunset, a primeira atração foi o Brothers of Brazil, dos irmãos Supla e João Suplicy, com o papai político Eduardo Suplicy na plateia. Tocaram músicas próprias e covers como ‘‘God save the queen’’, dos Sex Pistols (o show contou com Glen Matlock, baixista original dos Pistols). Em seguida, Erasmo Carlos e Ultraje a Rigor relembraram o passado com canções como ‘‘Fama de mau’’ e ‘‘Inútil’’.

O Sunset teve ainda o bailão africano da beninesa Angélique Kidjo e do camaronês Richard Bona, com público empolgado cantando no palco ao fim do show; e Sérgio Mendes, que abriu sua apresentação com ‘‘País tropical’’ e depois fez duetos com Carlinhos Brown.

Com tanta animação, alguém queria água mineral? Nada. Até mesmo uma lanchonete pegou fogo antes da abertura dos portões, assustando fãs que chegaram cedo e preocupando a organização, mas as chamas logo foram controladas.

O que os bombeiros não controlaram foi o fogo do público. Ainda bem.

* Colaboraram Mariana Alvim, Marina Cohen e Vinícius Cunha

 

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O Globo | Fãs reverenciam independência e atitude de Rihanna

Admiradores citam as qualidades da artista, que toca neste sábado no Rock in Rio


As fãs Loren Beatriz, Janai Serra e Angel Silva
Foto: Leo Martins / Agência O GloboAs fãs Loren Beatriz, Janai Serra e Angel Silva – Leo Martins / Agência O Globo

RIO — Uma geração sem papas na língua e que faz as suas próprias regras. Os fãs de Rihanna tomaram a Cidade do Rock, mostraram o seu poder de causar e, claro, justificaram o fato de os ingressos para este sábado terem sido os primeiros a evaporar.

— Rihanna faz o que quer e ninguém tem o direito de opinar sobre seu corpo e suas atitudes — diz a auxiliar administrativa Nicole Pedroso, de 18 anos, que tem quatro tatuagens no corpo em homenagem à cantora de Barbados. — Ela é vanguardista demais! Representa tudo aquilo que sempre procuramos nas divas do pop para nos inspirar.

A cantora realmente mexe com a cabeça da juventude que procura autoafirmação.

— Rihanna é uma mulher e tanto. Não preciso dizer que ela é absurda, né? Por ela causar nas letras e nas atitudes eu me espelho nela no meu dia a dia — fala a estudante Janai Serra, de 22 anos, da Bahia, acompanhada por duas amigas que também veem na espevitada barbadiana um símbolo de luta.


O estudante Lucas Rodrigues, de 19 anos, de Belo Horizonte – Leo Martins / Agência O Globo

— Ela é dona do próprio nariz. Junto com Beyoncé, é a maior representação do poder das mulheres — diz a a estudante Angel Silva, de 22 anos, que carregava a estampa do single “Bitch better have my money”, que traz o rosto de Rihanna em notas de dólares.

Mas é a despreocupação com o que os outros vão pensar é o que, sobretudo, contagia a geração.

— Por ela ser desencanada e superar a agressão do ex-namorado Chris Brown, em 2009, que sei que ela ainda vai os representar muito bem. Para Riri (como é carinhosamente chamada pelos fãs), todo mundo é de todo mundo — completa Loren Ferraz, atendente de 22 anos, do Rio.

Na “Cidade de Rihanna”, toda forma de amor é permitida. Com roupa inspirada no designer de moda Jeremy Scott e na Barbie, o estudante Lucas Rodrigues, de 19 anos , de Belo Horizonte, mandou um recado para o críticos que insistem em taxar as atitudes da cantora como vulgares.

— Por ela explorar muito a temática da sexualidade as pessoas confundem a pessoa e a artista. Rihanna, assim como eu, é dona de suas verdades e de seu corpo, e ninguém tem nada a ver com isso — fala Rodrigues.

O estudante Tiago Ranieri, de 20 anos – Leo Martins / Agência O Globo

Segundo os admiradores, Rihanna é o retrato de quem está cansado de cantoras artificiais e que bancam personagens em cima do palco.

— Ela não se inspira em ninguém, por isso se garante dentro e fora do palco. Um recado para homens e mulheres, que sejamos nós mesmos, sem maquiagem — diz o estudante Tiago Ranieri, de 20 anos, de Fortaleza, que vai assistir à cantora pela primeira vez. — Rihanna é pura “lacração”.

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O Globo | Floor Jansen, idolatrada no Brasil e fã de Sepultura

Cantora holandesa está em sua segunda vinda ao país com o Nightwish

Floor Jansen durante o show do Nightwish no Rock in Rio – Barbara Lopes / Agência O Globo

RIO — No Palco Sunset explode o som com Derrick Green, vocalista do Sepultura, com o clássico “Territory”, em participação especial no show da banda gótica portuguesa Moonspell. Do camarim, Floor Jansen, vocalista holandesa do Nightwish, escuta os sons guturais e logo identifica a música.

— Incrível como até no metal vocês são bons. Admiro bastante a potência do Sepultura — diz, para logo em seguida imitar o vocal de “Roots bloody roots”, outro sucesso do Sepultura que seria tocado no palco e urrado pela plateia. — Os brasileiros são muito efusivos. Estamos a uma distância considerável do palco e mesmo assim ouvimos com clareza o que cantam

Jansen é a terceira cantora a ocupar o vocal do Nightwish. Antes, o cargo foi de Tarja Turunen, entre 1996 a 2005, e Anette Olzon, de 2007 a 2012. Mas ela não teme as comparações.

— Essa situação de modo algum me tira dos nervos. Estamos funcionando muito bem como banda desde que entrei e nem cabe comparação, pois trilhamos história diferentes dentro do Nightwish — diz.

Ela está no Brasil pela segunda vez com o Nightwish, desta vez na turnê do álbum “Endless forms most beautiful”, lançado em março deste ano. Mas ela admite que o fato de tocar para um público tão grande ainda a deixa nervosa.

— Geralmente estou bem preparada para os shows, mas por ser um grande show de festival confesso que fico inquieta.

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O Globo | RiR se rende às cabeças brancas dos fãs de medalhões

Um dia após a enxurrada de metaleiros, média de idade do festival subiu


Rod Stewart trocou de roupa pelo menos três vezes durante a apresentação. Começou com um paletó branco, passou por um dourado e terminou com uma camisa preta, cantando “Sailing” – Guito Moreto / Agência O Globo

 

RIO – Depois do festival de camisas pretas do heavy metal no sábado, a vez das cabeças brancas. No domingo, o Rock in Rio viu subir consideravelmente a média de idade de seu público e dos artistas. Após Alice Caymmi abrir o Palco Sunset, a plateia assistiu a um reencontro histórico, com sabor de 30 anos atrás: Baby do Brasil e Pepeu Gomes, estrelas do primeiro Rock in Rio, em 1985, voltaram a subir ao palco juntos, aos 63 anos, depois de um longo tempo sem contato, conduzidos pelas mãos do filho Pedro Baby. Foi o prenúncio do que viria a seguir, tanto no palco quanto no gramado, com público e artistas mais velhos do que se costuma ver entre os frequentadores habituais de um festival de rock.

A ideia geral foi que, perdão, o rock envelheceu — a começar pelas estrelas principais da noite, Rod Stewart e Elton John, respectivamente com 70 e 68 anos. Mais do que os jovens — muitos dos quais jamais tinham visto shows dos dois artistas ingleses nem a cantora e o guitarrista juntos em cena —, o que se via mesmo era a animação e o saudosismo da turma grisalha, acompanhada ou não dos filhos, diante de sucessos de mais de três décadas atrás, como “Menino do Rio” e “Tinindo trincando” (esta, lá do tempo dos Novos Baianos, formado nos anos 1970 pelo então casal e por Moraes Moreira, entre outros).

Na plateia, gente da mesma geração, como o promotor de Justiça aposentado Ezequiel Dias, de 67 anos. Ele saiu de Teresina (PI), pegou a filha (que hoje mora em São Paulo, mas em 1985, em sua estreia no festival, tinha 8 anos) e veio para a Cidade do Rock em busca de velhas emoções.

— Não podia deixar de viver essa experiência de novo 30 anos depois. A vida não tem bis — dizia Ezequiel, deitado numa canga, enquanto esperava para rever os Paralamas do Sucesso (que, assim como Rod Stewart, também estiveram no primeiro Rock in Rio).

A filha, Silvia Dias, hoje com 39 anos e que foi ao festival de 1985 amarrada (literalmente) ao pai, conta que partiu dela a ideia de reviver a experiência:

— No Rock in Rio de 30 anos atrás, meu pai deu a opção de escolher entre o dia do Kid Abelha e o do Paralamas. Preferi o segundo, e foi muito legal quando vi que agora eles estariam no festival de novo. De brinde, tivemos a oportunidade de enfim ver Baby e Pepeu, que ouço desde criança.

AINDA NA BARRIGA DA MÃE

Se Silvia era criança quando esteve no primeiro Rock in Rio, Kriptus Gomes foi ao festival na barriga da mãe, Baby do Brasil. Nos bastidores do Palco Sunset, o hoje produtor musical acompanhava o show dos pais:

— É uma emoção gigante para mim, por nunca ter assistido a esse show dos dois antes. Tenho 30 anos, sou filho, sou da família, mas só hoje tive essa oportunidade. Essa volta reúne toda a nossa família, tanto dentro quanto fora do palco.

Conduzidos pelo filho Pedro Baby, Pepeu Gomes e Baby do Brasil, voltaram a subir ao palco do Rock in Rio – Agência O Globo

Baby, Pepeu, Rod Stewart e Elton John ajudaram a somar idade a um festival que, ao menos no primeiro fim de semana, prima pela presença de veteranos. Acompanhado pelo vocalista garotão Adam Lambert, o Queen do guitarrista Brian May (68) e do baterista Roger Taylor (66) arrepiou a plateia na sexta-feira. Um recorde de idade de uma atração do festival foi batido por Tony Tornado, o mais velho de todas as edições brasileiras, aos 85 anos, que se apresentou também na sexta-feira, com Ira! e Rappin’ Hood no Sunset. João Donato (81 anos) e uma turma de septuagenários (Erasmo Carlos, Ney Matogrosso e Ivan Lins, que estiveram no show de abertura) também cuidaram para que o Rock in Rio tivesse a sua boa dose de experiência representada nos palcos.

Enquanto isso, a plateia veterana não deixava por menos. Do alto da tirolesa, uma animada turma chegava deslizando, destemida, com adrenalina a toda.

— O Rock in Rio sem a tirolesa não é o Rock in Rio — decretava a funcionária pública Gisele Chervet, de 51 anos, que ia pela segunda vez a um dos brinquedos mais disputados do festival. — O Rock in Rio é se permitir fazer coisas que você, a princípio, achava que não conseguiria pela idade.

Com ela também se aventuraram na tirolesa o marido, Henry Chervet, de 56 anos, engenheiro civil; e sua irmã Katia Bontempo, de 52 anos, funcionária pública, com o marido Renato Bontempo, 52 anos, empresário. Eles estiveram no Rock in Rio, em 1985, e não se esquivam das recordações da juventude.

— Aqui (no Rock in Rio) não existe esse lance de tribo e idade. Somos todos um só independentemente de gosto ou idade — dizia Henry Chervet.

As lembranças da lama dos anos 1980 vêm à tona a cada ano que eles entram na Cidade do Rock.

— Era o Woodstock brasileiro, e carregávamos um sentimento de liberdade. Se hoje não carregamos muito esse espírito lendário da primeira edição, ganhamos em infraestrutura, segurança e na continuidade de um festival que permite a convivência entre o velho e o novo — analisava Renato Bontempo. — Só não sou o mesmo garotão e tenho uns quilinhos a mais.

A convivência com os mais jovens no festival, eles garantiam, era espontânea.

— Há uma aceitação muito grande entre as idades. Acho que eles lembram que já fui jovem também. Tem uma harmonia no ar, que se reflete nas atrações com revelações e astros consagrados — afirmava Gisele Chervet.

E, no dia da saudade do festival, curiosamente, até mesmo o grupo mais novo da escalação, o Magic! (uma espécie de revisão do velho The Police, fundado em 2013), recorreu a um flashback para ganhar os pais do seu público, adolescente: “Girls just wanna have fun”, o inescapável hit oitentista de Cyndi Lauper.

* Colaboraram Helena Aragão, Luccas Oliveira e Vinicius Cunha

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O Globo | Meu Rock in Rio: Personalidades listam memórias marcantes do festival

Kadu Moliterno ficou com medo do fim do mundo, Tulipa Ruiz teve encontro inesquecível com João Donato, Tico Santa Cruz fez promessa e cumpriu 20 anos depois: veja os depoimentos 

Público lotou o primeiro Rock in Rio, em 1985 Foto: Arquivo O Globo

Público lotou o primeiro Rock in Rio, em 1985 – Arquivo O Globo

RIO — Impossível imaginar uma retrospectiva de música brasileira a partir da década de 1980 que não dedique ao menos um pomposo capítulo ao Rock in Rio. Marcante, a primeira edição do festival mostrou uma juventude ansiosa por assistir aos seus ídolos de perto em um momento de cultura e política efervescentes no país. Seu simbolismo no imaginário nacional foi além da profusão de sons, ditando modas e constando em diários de milhões de pessoas. De gente que encarou a lamacenta Cidade do Rock da primeira edição, em 1985, aos que pisam a sólida estrutura do Parque dos Atletas, onde a festa acontece desde 2011.

O festival trouxe grandes nomes de rock, metal, pop e diversos outros gêneros para perto dos fãs. Mas também rendeu encontros emocionantes, fez gente chorar com solos de guitarra, se acabar de dançar no meio da multidão ou virar tiete de carteirinha. A uma semana da sexta edição carioca, revisitamos a mágica que há 30 anos rende lembranças incríveis e inusitadas. Afinal, não há Rock in Rio sem boas histórias para contar.

1985: Pioneiros e exploradores

A iniciativa de Roberto Medina em realizar o Rock in Rio foi um retrato da grande mudança que o Brasil enfrentava. Enquanto os jovens celebravam a vitória de Tancredo Neves, o rock nacional entrava na fase adulta. Astros como Queen, AC/DC, Yes, Rod Stewart e Iron Maiden marcavam presença no evento. O Brasil entrava, em definitivo, no mapa da música pop mundial.

Cid Castro também é autor do livro “Metendo o pé na lama – Os bastidores do Rock in Rio de 1985” – Agência O Globo

Cid Castro, criador da logomarca do Rock in Rio: “Assistir ao Yes do palco, cantando ‘Roundabout’ no último dia do Rock in Rio, abraçado com a minha namorada, foi um orgasmo completo para quem estava acompanhando o festival desde os rascunhos de ideias”.

Kadu Moliterno foi apresentador da primeira edição do festival – Renato Rocha Miranda / Agência O Globo

Kadu Moliterno, ator e apresentador da primeira edição do Rock in Rio: “Nostradamus tinha falado que o mundo acabaria em um grande evento. Minha mãe estava preocupadíssima. Enquanto eu fazia as honras para Rita Lee, um dos refletores explodiu, e fiquei desesperado: ‘o mundo está acabando!’ Corri para casa no meio do festival e liguei: ‘mãe, o mundo está acabando, mas tô em casa’. Vendo que não acabou voltei para curtir o Rock in Rio”.

1991: O rock faz tremer o Maracanã

De casa nova, o Maracanã, então maior estádio do mundo, o Rock in Rio voltava depois de um hiato de seis anos com sons versáteis. Do rap seminal do Run DMC à boy band New Kids On The Block (na mesma noite), o line-up chegou a seu ápice, para delírio do público, com o icônico show do Guns N’ Roses. No auge, com sua formação clássica, o grupo californiano começava sua história com o Rio e o festival.

Tico Santa Cruz realizou sonho de cantar no mesmo festival que ídolos do Guns N’ Roses em 2011 – Divulgação

Tico Santa Cruz, vocalista dos Detonautas: “Ainda adolescente fui ao Rock in Rio II com minha tia e queria muito ver o Guns N’ Roses, banda dos sonhos na época. Falei ali mesmo, todo suado e emocionado, que um dia iria tocar no festival com eles, sonho que se realizou na edição de 2011, quando nos apresentamos no mesmo dia de Axl e cia. Absurdo!”

Arthur Dapieve, jornalista: “Choveu muito no festival de 1991. Os túneis do Maracanã ficaram alagados. Era preciso usar botas. Junto com o boné e os óculos, mais parecia que usávamos um equipamento militar. De certa forma, um grande festival de rock não é só uma festa de música e paz, mas também uma operação de guerra”.

2001: Superlativo, e de volta para casa

Dez anos depois da última edição, o Rock in Rio voltou. E voltou para uma nova Cidade do Rock, reconstruída no mesmo lugar. Se o festival foi feito meio de improviso em 1985 e tomou proporções grandiosas em 1991, em 2001, ficou superlativo. Teve 250 mil vendo Red Hot Chili Peppers, teve uma endiabrada Cássia Eller, teve Britney sedutora… E muito mais.

Matheus Souza foi ao show de Britney Spears em 2001 – Agência O Globo

Matheus Souza, cineasta: “Lembro de ter pedido para minha prima flertar com um cara alto ao longo do dia pop para ele me levantar nos ombros na hora do show da Britney Spears. Desde então, toda vez que faço algo bobo para agradar a uma moça bonita lembro dessa cena e toca ‘ Oops!… I did it again’ na minha cabeça”.

Maurício Valladares, radialista e agitador cultural: “A vinda de Neil Young está acima de tudo e de todos. Uma brasa que jamais esquecerei! O maior legado do Rock in Rio foi ter impregnado para sempre a cena musical brasileira com o mais alto nível de profissionalismo trazido por músicos e técnicos estrangeiros”.

2011: Entrando no calendário

A marca de 700 mil ingressos vendidos para o Rock in Rio em apenas quatro dias mostra como estava a ansiedade do público carioca após um hiato de uma década. Chris Martin, vocalista do Coldplay, foi explícito: marcou “I <3 Rio” em tinta spray no palco. A essência eclética foi mantida, indo de Rihanna a Motörhead, passando mais uma vez pelos Chilli Peppers. Desde então, de dois em dois anos, chega o “dia de rock, bebê!”.

CAIO CASTRO Ator fala do sucesso de Grego, em I Love Paraisópolis Foto: João Cotta – João Cotta / Rede Globo / Divulgação

Caio Castro, ator, protagonista do filme “Se a vida começasse agora”, sobre o Rock in Rio: “Desde moleque sou fã dos Red Hot Chili Peppers. Onde morava, fui influenciado por amigos mais velhos, e era Anthony Kiedis pra lá, Flea pra cá, imitava o jeito deles e tudo. Então quando pude vê-los em 2011 foi mágico. Subi nas costas de um brother no meio da galera e fiquei surpreso com todo aquele povo em sintonia, cantando tudo. Meu sonho de adolescente se cumpriu!”

Sophia Abrahão, atriz e cantora:”No último dia fui assistir Guns n’ Roses e foi incrível. Nem atraso nem chuva me fizeram arredar o pé da Cidade do Rock. Foi incrível!”

Tulipa Ruiz teve um encontro inesquecível com João Donato em 2011 – Rodrigo Schmidt

Tulipa Ruiz, cantora: “Fazia 10 anos que o Rock in Rio não acontecia. E fomos chamados justamente pra esse retorno à Cidade do Rock, num encontro no palco Sunset entre eu e a Nação Zumbi. Especial por si só. Mas foi antes, na coletiva de imprensa, que meu coração foi arrebatado por João Donato. Íamos fazer um número de ‘Efêmera’ e eis que ele chegou naquele Donato’s Style com a partitura da minha música escrita à mão. Foi rock’n roll à primeira vista. Nunca mais nos largamos desde então”.

Luiz Felipe Carneiro, autor do livro “Rock in Rio – A história do maior festival de música do mundo”: “ Entrar na Cidade do Rock logo após de lançar o livro sobre o festival, e dar de cara com o telão passando imagens históricas seguido de “Imagine” com Milton Nascimento e Tony Bellotto, foi ver um sonho concretizado”.

2013: Dobradinha de astros e público

Jared Leto, ator hollywoodiano e vocalista do 30 Seconds to Mars, aventurou-se na tirolesa em pleno show; Marky Ramone barbarizou o Sunset; Bruce Springsteen cantou “Sociedade alternativa”, hino de Raul Seixas; uma fã sortuda realizou o sonho de dar um beijo em Jon Bon Jovi. A interação entre astros e fãs nunca falou tão alto no festival, que fincou bases sólidas na Cidade do Rock.

Luiza Valdetaro amou o show de Florence em 2013– Marcos Ramos / Agência O Globo

Luiza Valdetaro, protagonista do filme “Se a vida começasse agora”, sobre o Rock in Rio: “Achei incrível a Florence & The Machine na edição de 2013. Ela parece uma ninfa e tem uma presença de palco de fazer inveja a qualquer diva pop. E nem precisa de requebrado para isso! Só de lembrar daquela noite eu fico arrepiada”.

Jimmy London, vocalista do Matanza: “Subir no palco com BNegão e Paulo foi uma honra, mas entrevistar James Hetfield (Metallica) foi surreal, e eu tentando achar normal entrevistar um ídolo”.

Guilherme Guedes, apresentador do Multishow: “Cobri o show do Marky Ramone’s Blitzkrieg, que tinha o Michale Graves, ex-Misfits, no vocal. Escolhi uma camiseta dos Misfits para a entrevista, e Marky disse que se eu não trocasse de roupa, não falaria. Virei a camiseta do avesso ao vivo, um sufoco, mas rolou. Depois Marky falou: ‘bacana um grupo usar o nome de outra banda com integrantes que não têm nada a ver com ela’. Não entendi muito bem de um cara que carrega o nome ‘Ramone’”.

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O Globo | Rock in Rio está garantido até 2019

RIO – Foi anunciado na tarde desta terça-feira (15), na Cidade do Rock, na Zona Oeste, o contrato que confirma as duas próximas edições do Rock in Rio, para 2017 e 2019. O evento teve a participação do prefeito Eduardo Paes, do secretário municipal de Coordenação de Governo, Pedro Paulo, de Roberto e Roberta Medina, presidente e vice-presidente do festival, respectivamente.

— Antecipamos a obra do parques dos atletas para acolher o festival em 2011, para não correr o risco de o festival ir para outra capital. Isso era inadmissível para mim, seria um absurdo perdê-lo — comentou Paes, fazendo questão de citar que essa será a sua última partição no festival como prefeito. — Em 2001 [na terceira edição] eu namorava minha mulher, fiz ela comer rápido antes de vir para cá e correr para o Rock in Rio. No caminho, tropecei na lama em uma pessoa, sem perceber, só depois vi que era minha cunhada. Nem preciso falar da confusão que deu.

Eduardo Paes defende a ideia de que os transtornos que as obras trazem são, sobretudo, um legado para a cidade. — O transporte público é o único modo de chegar ao Rock in Rio —, reforça, fazendo uma piada: — Não vai dar para chegar de táxi nem de Uber (não resisti).

CIDADE DA ESPERANÇA

Para Roberto Medina, o festival precisa melhorar a cada ano. Ele lembra da experiência do primeiro Rock in Rio, com todas as suas dificuldades e com a luta política da transição da ditadura para democracia.

— Temos um cenário confuso e politicamente ruim, mas durante sete dias, além de vivermos os problemas, vamos ter noção de que a Cidade do Rock será também uma cidade de esperança. — diz Roberto Medina, que aposta em Queen + Adam Lambert como o grande show desta edição. —A plateia é o grande show do Rock in Rio. Há 30 anos todos falavam que era um absurdo iluminar a plateia. O Rock in Rio foi o primeiro show do mundo a fazer isso.

Roberta Medina também recebeu em nome do Rock in Rio a medalha Pedro Ernesto, maior honraria da facultada pela Câmara dos vereadores do Rio de Janeiro, das mãos da vereadora Laura Carneiro.

O evento também serve para os últimos ajustes nas estruturas do festival. A prévia do Rock in Rio conta com show de Lenine e testes de luz e som em todos os palcos e áreas: Palco Mundo, Sunset, eletrônica, Rock Street. Os quatro brinquedos (roda gigante, montanha-russa, a tirolesa e o extreme) também passaram pelos últimas verificações.

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O Globo | Longa de ficção narra trajetória do Rock in Rio

‘Se a vida começasse agora’ narra encontros e desencontros de casal em três edições do festival


Caio Castro e Luiza Valdetaro em cena de ‘Se a vida começasse agora’
Foto: Divulgação / Igor HercowitzCaio Castro e Luiza Valdetaro em cena de ‘Se a vida começasse agora’ – Divulgação / Igor Hercowitz

No acampamento da primeira edição do Rock in Rio, em 1985, a música rolava solta antes e depois dos shows históricos de Queen, Yes, Iron Maiden e Scorpions. Em plena abertura política e cultural do país, a juventude viveu dez dias de sonho e autoconhecimento. Esse é o cenário do primeiro encontro de Beto e Bia (ele fotógrafo, ela fã de Freddie Mercury), os personagens principais de “Se a vida começasse agora”, filme ficcional sobre o festival. Com estreia prevista para o primeiro semestre de 2016, o longa é estrelado pelos atores Caio Castro e Luiza Valdetaro.

Dirigido por Alexandre Klemperer e Roberto Carminati, o filme mistura romance e música e é de fácil identificação pelo público.

— Você não está contando a história de um casal, mas sim de milhares, talvez milhões de casais que se formaram a partir do Rock in Rio, seja qual for a edição. O festival entrou na vida das pessoas e do país, um feliz caminho sem volta — afirma Klemperer, que dirigiu novelas como “Salve Jorge” e “Caminho das Índias”.

Caio Castro, que está se dividindo entre as gravações da novela das 19h, “I love Paraisópolis”, e as filmagens do longa, sente que o roteiro conta parte de sua própria história.

— Mais de 7,7 milhões de pessoas já foram ao Rock in Rio. Já imagino esse pessoal vendo o filme e lembrando dos momentos vividos no festival. Eu sou uma dessas pessoas — conta o galã que realizou um sonho de infância ao assistir ao show dos Red Hot Chili Peppers, em 2011.

PONTO DE ENCONTRO

O casal da ficção se encontra casualmente nas três primeiras edições do festival (1985, 1991 e 2001), algo que é inimaginável para o jovem elenco que, basicamente, não sabe o que é um relacionamento sem uma conexão instantânea.

— Hoje você tem uma série de aplicativos e ferramentas que permitiram ao nosso casal se encontrar. No filme, o Rock in Rio desempenha essa função de ser uma grande rede social — explica Carminati.

Para imergir o elenco — que conta também com Sophia Abrahão, Ícaro Silva, Ivan Mendes e Victor Lamoglia — nesse período, a produção teve que providenciar uma imersão no ambiente da década de 1980.

— Eles tinham de entender o que é não ter um celular e usar um telefone de disco. Um regime de selva com bloqueio de acesso à internet em uma casa totalmente afastada que alugamos para as gravações — detalha Klemperer.

Ainda que o longa se concentre na história de amor dos jovens protagonistas ao longo das edições do Rock in Rio, a iniciativa de Roberto Medina de inserir o Brasil no mapa dos grandes shows pop renderia, por si só, um outro filme.

— Em “Se a vida começasse agora”, a gente acaba falando mais do casal. Acho que deveriam fazer um outro filme centrado apenas na história do Medina. — analisa a mocinha Luiza Valdetaro, sobre o criador do festival, que é interpretado no filme por Marcelo Serrado.

O Rock in Rio é o primeiro beijo que todo mundo quer repetir. Mais ainda em uma sala escura de cinema.

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Pulso | O Show da Minha Vida – Bruce Springsteen no Rock in Rio 2013

A preguiça habitual que bate depois do almoço era descomunal e fora do comum naquele sábado, 21 de setembro, e sexto dia da quinta edição do Rock in Rio em nosso quintal. A televisão passava flashes do show da Orquestra Imperial e nada parecia mais adequado para eu ficar ali cultivando o ócio.

O telefone toca. Olhar desinteressado. É a namorada. Penso: “deve ser coisa boa”. Atendo.

— Vinícius para tudo que você está fazendo e corre aqui para casa!

— Thais, aconteceu algo?!

— Aconteceu! Vem para cá agora que vamos ao Rock in Rio hoje assistir ao Bruce Springsteen. Aqui não tem essa de ingresso esgotado! Corre!

Faço um certo ‘doce’ ainda incrédulo, mas vou.

Corta.

Lágrimas brotam dos olhos enquanto o Chefão se prepara para entoar “This hard land”, a última das 26 canções que colocou para jogo em sua estreia de duas horas e meia diante do público carioca. Um show até curto se levar em conta que estamos falando de Bruce Springsteen, que dias antes havia feito show em São Paulo com mais de três de duração.

Para compensar esse favorecimento, o patrão não se fez de rogado. Depois de “Hungry heart”, prometeu que ia tocar inteiro o álbum “Born in the USA”. Que fôlego! Na mesma ordem do disco, foram a faixa-título, “Cover me”, “Darlington County”, “Working on a highway”, “Downbound train”, “I’m on fire”, “No surrender”, “Bobby Jean”, “I’m going down”, “Glory days”, “Dancing in the dark” e seu tradicional baile com os fãs no palco e “My hometown”.

E pensa que a E Street Band não aguenta o tranco? Sobra disposição e habilidade com os guitarristas Steve Van Zandt e Nils Lofgren e o saxofonista Jake Clemons. Cozinha que dá a segurança necessária para Bruce descarregar hit atrás de hit fazer de um tudo: destilar seu charme de senhor sessentão sentado na caixa de som, brincar com os fãs no gargarejo e reger a multidão apenas com uma das mãos.

Por ser sua segunda vez no Brasil (sendo que a primeira foi lá em 1988), concessões seriam muito bem-vindas. Mas um álbum na íntegra e a gentileza da música de abertura ser a versão em esforçado português para “Sociedade Alternativa”, de Raul Seixas e Paulo Coelho, mostram o porquê da carreira do Boss ser tão longeva.

Os gritos de “Bru-cê, Bru-cê, olê, olê, olê, olê!” até podem ser bregas, mas ainda ecoam na mente após dois anos e a apenas uma semana da sexta edição do festival.

Ah, e aconteça o que acontecer: sempre atenda aos telefonemas de sua namorada.

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